ENTREVISTA COM CACETE COMPANY: “Hoje, buscamos produzir o que sempre sentimos falta: a realidade da rua”

Nós amamos quando marcas locais desfilam no São Paulo Fashion Week, ainda mais quando essa marca leva mais outras duas mineiras para desfilar com ela! Foi isso que a Cacete Company fez, e nós batemos um papo super legal com eles sobre tudo isso, confere aqui embaixo!

Na última edição do SPFW a Cacete Company desfilou o Arquivo 07 e de quebra levou bolsas da O Jambu Bags e acessórios da Fernanda Torquett para a passarela, outras duas marcas locais mais que perfeitas de Belo Horizonte.

Além disso, a marca, que já mostrou que manda bem nas collabs, trouxe mais três parcerias: óculos com a Chilli Beans, tênis, em colaboração com a Puma e bonés com a Street Art Caps.

Trocamos uma ideia com o Raphael Ribeiro e o Thiago Carvalho, diretores criativos da Cacete Company, sobre o Arquivo 07, o SPFW, e a relação entre moda e política aqui embaixo:

Entrevista com a Cacete Company

Santo de Casa: Vocês são grandes representantes dessa nova vanguarda da moda mineira que é mais urbana e alternativa, como vocês veem isso? 

Cacete Company: A história de moda em Minas ganhou maior visibilidade no restante do Brasil no inicio dos anos 80, com a criação do Grupo Mineiro de Moda. Nomes como Graça Ottoni, Sonia Pinto e Renato Loureiro sempre estiveram no nosso processo de desenvolvimento enquanto estilistas. Depois vimos que os produtos criados nos estado ganharam destaque por conta do preciosismo com o uso excessivo de brilhos, em vestido de festas com paetês, lantejoulas e canutilhos. Hoje, buscamos produzir o que sempre sentimos falta desde o nosso começo: a realidade da rua.

SDC: Como vocês veem a relação da indústria de moda mineira com essas novas marcas e estilos que vem surgindo por aqui?

Cacete: Ficamos super confortáveis e seguros quando vemos surgir na moda mineira novas empreendedoras, influenciadoras e pensadoras. Acho que não estamos sozinhos resistindo e existem um mercado que sempre foi “certo” ser agressivo com funcionários, pagar poucos os fornecedores e ser extremamente arrogante.

SDC: Sobre o SPFW, vocês já integram o line-up do evento há algumas edições, como é participar de um evento de moda desse porte sendo uma marca tão irreverente e disruptiva? Vocês já enfrentaram algum tipo de resistência da moda tradicional em eventos como esse ou em outras ocasiões? 

Peças do ARQUIVO 04 da Cacete Company, primeiro desfile da marca no SPFW dentro do Projeto Estufa

Cacete: O desfile é uma ótima maneira de promoção para a marca. Ele ajuda na visibilidade e reputação da imagem para pessoas que só acreditam naquela plataforma. E sim, já tivemos um episódio de censura no nosso primeiro desfile (dentro do projeto Estufa). Na ocasião, foi solicitado que uma calça pintada pelo artista mineiro Desali  não entrasse na passarela, pois tinha um desenho de um pênis decepado por uma tesoura. Mas decidimos não cair com a peça e cortamos o falo do artista.

SDC: Pro Arquivo 07 vocês se inspiraram no quadro ‘Fogueira Neoxamânica’ e trouxeram várias referências à tecnologia e futuristas, qual a reflexão que vocês quiseram incitar nessa coleção?

Cacete: A obra “Fogueira Tecno Neoxamânica” da artista carioca Marcela Cantuária foi o nosso ponto de partida, pois ele retrata uma espécie de seita em torno de uma fogueira de computadores – é uma visão de um futuro próximo.

O quadro também foi fruto de inspiração para a escolha das cores da coleção, composta principalmente por brancos, pretos e marinho. A cartela têxtil, que teve apoio da TEXPRIMA LOF e da VICUNHA TÊXTIL conta com uma gama ampla de materiais como veludo, paetê, pêlo, seda, náilon, tactel, sarjas e tricot nas peças com estética ousada e fetichista, que já fazem parte do DNA da marca.

SDC: Os Troca-Trocas, como vocês chamam as parcerias, apareceram mais nessa última coleção, como é o processo de co-criação para essas collabs? E como foi realizar uma parceria com uma marca tão grande como a Puma?

Cacete: Com cada parceria o processo de criação segue de uma maneira. Quando surgiu o convite da Puma para esse troca-troca, eles nos propuseram que trabalhássemos com um modelo de tênis que estavam lançando naquele momento. Então, tivemos a liberdade de interferir neste modelo. Desenvolvemos um cabedal com estrutura que lembra as sandálias que fizemos nos Arquivos anteriores. 

SDC: A Cacete sempre é uma marca mais engajada e que sempre se posiciona, para vocês como é a relação entre Moda, Política e Cultura, e qual a importância disso? 

Cacete: Acreditamos que estes assuntos estão interligados e por isso é natural e importante pra gente se posicionar sempre. Dessa forma podemos ajudar a construir um mercado menos raso e mais consistente. 

Confira algumas das peças do Arquivo 07, que será lançado em breve!

Lucas Assunção

Publicitário formado mas que se identifica como Comunicador. Apaixonado por moda desde os 13 aninhos e querendo resolver todos os problemas da indústria. Só que não dá pra fazer tudo sozinho né, vem comigo?

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