O QUE A FALÊNCIA DA FOREVER 21 NOS DIZ SOBRE O MODELO DE FAST-FASHION?

Recentemente, a notícia que a Forever 21, (uma das maiores e mais conhecidas varejistas de fast-fashion) deve declarar falência em breve.

A Forever 21 enfrenta uma crise há algum tempo, com vendas diminuindo, grandes dívidas com fornecedores (que datam de 2016), lojas pouco lucrativas e pressão dos concorrentes. Outro grande obstáculo inclui a posição do co-fundador, Do-Won Chang, que não quer abrir mão de sua participação na empresa, o que limita a venda de ações.

Além disso, a marca também enfrenta uma grande dificuldade de digitalização e de participação de mercado no online, ao contrário de suas concorrentes, que tem cada vez mais se adequado para as necessidades dos nativos digitais. Por isso, essa notícia pode não vir como uma surpresa para muitos.

Sempre falamos sobre como a valorização da moda local e autoral é, necessariamente, contrária à esse mecanismo de produção em escala.

Então, o que isso tem a ver com a gente e com o cenário do Fast-Fashion no geral?

É verdade que as pessoas estão cada vez repensando seu consumo na moda. O ganho de poder aquisitivo da Geração Z, que notoriamente prefere consumir de marcas que tenham propósito e sejam sustentáveis, é significativo nisso; e as gerações mais velhas já estão repensando seus hábitos de compra. Segundo um estudo do site Thredup 77% dos millenials tem maior responsabilidade nas compras e dá preferência à marcas sustentáveis ou de segunda mão.

Movimentos como o nosso, de valorização do local e do autoral e outros como o dos brechós são crescentes e apontam um desvio do consumo dessas gigantes varejistas. A mesma pesquisa ainda aponta que em 10 anos o consumo de roupas de segunda mão deve ultrapassar em até 1,5 vezes o de Fast-Fashions.

Enquanto esses movimentos são, sim, crescentes e impactantes, ainda é cedo para dizer que a falência da Forever 21 e a crise de tantas outras varejistas é decorrente somente da conscientização e mudança de hábitos dos consumidores.

No entanto, por quais sejam os motivos, é inegável o esgotamento, por mais que vagaroso, do modelo de produção em massa e do Fast-Fashion, que tem perdido cada vez mais consumidores. Mesmo marcas que perduram, como a Zara, já tem elaborado planos de sustentabilidade e alternativas para atrair mais público, por mais incoerentes que essas ações possam ser.

Lucas Assunção

Publicitário formado mas que se identifica como Comunicador. Apaixonado por moda desde os 13 aninhos e querendo resolver todos os problemas da indústria. Só que não dá pra fazer tudo sozinho né, vem comigo?

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