Avatares e Modelos Digitais na Moda

A moda sempre se apropriou de avanços tecnológicos das mais diversas formas. O mais recente e talvez mais emblemático advento da tecnologia que a moda tem se apropriado seja a criação dos avatares digitais.

Você provavelmente já deve ter visto ou ouvido falar sobre Influenciadores, modelos e avatares Virtuais ou Digitais (criados através de computação gráfica) ou até modelos “androids”.

Esses avatares são criações virtuais e (no caso dos influenciadores digitais) somam milhões de seguidores nas redes sociais e tem grande ganhado cada vez mais participação no mundo da moda, como as influenciadoras Lil’ Miquela (que inclusive tem músicas próprias) e NooNoouri, que já estrelou campanhas para grandes marcas.

Ainda mais recentemente, temos vistos roupas e modelagens sendo feitas de forma completamente digital, em softwares de criação de roupas. Isso mesmo! Entenda melhor aqui.

À parte do estranhamento inicial, a questão de modelos e influenciadores virtuais levanta uma série de debates polêmicos. No ano passado, a influenciadora e avatar virtual “Shudu Gram” levantou um grande debate sobre racismo e representatividade.

Isto é, pois a chamada “primeira supermodelo digital do mundo”, de design extremamente realista, é a imagem de uma mulher negra, criada por Cameron-James Wilson, um homem branco.

Algumas das críticas apontavam que “um fotógrafo branco descobriu uma maneira de lucrar com modelos negras sem ter que pagá-las” e que “em vez de contratar uma modelo, ele fez uma” levantando também o debate sobre empregabilidade de modelos na indústria.

Tendo em vista todas essas questões, conversamos com o pessoal do Studio Asteri, a primeira agência de modelos digitais da América Latina, que, adivinha, é de Belo Horizonte!

Primeiramente, queria saber um pouco de como surgiu a ideia de criar a agência e como vocês veem o impacto da criação digital e tecnologia na moda?

Tudo começou quando eu conheci o Gabriel Kemparski, amigo do meu filho Gui (gestor da página SimsTime juntamente com vários amigos, a maior comunidade da América Latina, uma das maiores do mundo do jogo The Sims. Comunidade oficialmente parceira da EA Electronic Arts.). Eu como design especializada em superfícies percebi que se conectasse a potencialidade dos jovens autodidatas à minha experiência poderíamos criar a primeira agência de modelos virtuais realísticas do Brasil. Logo iniciamos os trabalhos, mas percebemos que nos faltava expertise na textura da pele humana. Foi então que convidamos para nossas equipe mais um jovem, também autodidata, Will Lira. Ambos iniciaram seus hobbies aos 12/13 anos de idade. A cadeia atual da moda vai mudar completamente com essa inovação, por exemplo, poderemos ver a roupa pronta sem tê-la feito, sem ter gastado um centímetro de tecido, (nada além de algumas horas na frente do computador. Um método bem sustentável!) assim fabricar conforme a demanda…

Como é o processo para a criação de uma modelo digital? É algo que parte da agência ou é feito colaborativamente com o cliente?

A imaginação é o limite para as nossas criações! Esse é o nosso lema. Temos duas opções, seguimos estereótipos dos nossos gostos ou criamos totalmente a partir do gosto do cliente, a exemplo da Jula Sprigs (@jula.sprigs) , filha do estilista Fabio Costa (@notequal). A pedido do mesmo ela tem os olhos do estilista, o seu tom de pele e um ar andrógeno.

Qual a opinião de vocês sobre o uso dos influenciadores virtuais na publicidade e na moda?

Eles são as novas celebridades! Independem mídia tradicional para se tornarem famosos. Eles são “escolhidos” pelo público que se identifica com eles, o que os torna muito mais consistentes.

Sobre o uso de modelos digitais e influenciadores digitais, existem algumas polêmicas. A primeira, é quanto à pauta da representatividade. Um exemplo é homens brancos utilizarem imagens digitais de mulheres negras, ou outros casos similares. Como vocês vêem essa questão?

Não estamos nos preocupando com a concorrência, estamos seguindo os nossos valores. Nossa propósito é desenvolver modelos de todas as etnias, formas e idades. O objetivo é que todos se sintam representados.

Outra crítica é quanto à empregabilidade de modelos e a possibilidade do digital retirar empregos desses profissionais. Como é isso para vocês e como fazer com que isso não aconteça?

Quando os computadores chegaram todos temeram perder seus empregos, porém o mundo se adaptou às novas tecnologias. O mesmo vai acontecer agora. Nada se perde, tudo se transforma e é impossível cessar o avanço da tecnologia. Estamos desenvolvendo clones de grandes modelos no auge de sua carreira para que sejam imortalizadas e assim possibilitar que recebam pelos seus trabalhos “ad eterno”.

Lucas Assunção

Publicitário formado mas que se identifica como Comunicador. Apaixonado por moda desde os 13 aninhos e querendo resolver todos os problemas da indústria. Só que não dá pra fazer tudo sozinho né, vem comigo?

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