DESTAQUES DA 48ª EDIÇÃO DO SÃO PAULO FASHION WEEK

Na última semana aconteceu mais uma edição da SPFW, a 48ª do evento. Além de toda a polêmica em que o evento foi envolto na edição passada, e o clima de desgaste das semanas de moda e desfile, um ar de “e aí? o que a São Paulo Fashion Week vai fazer agora?”.

Mais uma vez, grandes marcas se contentam em apenas produzir peças, não se enganem, muitas com um incrível trabalho de design e produção, mas só isso. O trabalho de questionar, inovar, botar a boca no trombone e falar o que pensa ficou por conta dos novatos, dos pequenos e dos autorais (como já era esperado, na verdade).

Por isso, a gente selecionou aqui alguns destaques das marcas que desfilaram no evento (*sem distinção se são marcas locais ou não).

Fernanda Yamamoto

Fernanda Yamamoto – SPFW N48 Inverno 2020 Foto: Zé Takahashi/ FOTOSITE

Começamos pela marca mais veterana dentre os nossos destaques. A marca completou 10 anos esse ano e apresentou uma coleção de vestidos de festa repleta de patchwork, estudos de forma e textura de forma bem experimental (como a gente ama).

O destaque no entanto, aparece no fazer. Para executar esses recortes e retalhos, Fernanda Yamamoto revisitou seu acervo de uma década de marca e desconstruiu peças de coleções passadas numa verdadeira aula de upcycling.

Aluf – Projeto Estufa

Aluf – Projeto Estufa – SPFW N48 Inverno 2020 Foto: Zé Takahashi/ FOTOSITE

Temos uma queda pelo Projeto Estufa, até porque tem tudo a ver com a gente e várias de nossas marcas preferidas já passaram por lá. Se você não conhece, vale o google.

Podemos elencar uma série de motivos para a Aluf estar nos nossos destaques: os shapes, formatos e cores retrofuturistas extremamente bem executados; o maximalismo e renovação das mangas bufantes (aqui, mangas e calças), que já temos visto por ai ou a presença de modelos de diferentes idades e biotipos na passarela.

Mas além de todos esses aspectos, alguns dos looks desfilados foram feitos através do reaproveitamento de plástico que a marca tem estudado durante o último ano. Aproximadamente 600 sacolas plásticas foram reaproveitadas em um processo para transformá-las nas roupas que vimos na passarela.

Apartamento 03

Apartamento 03 – SPFW N48 Inverno 2020 Foto: Zé Takahashi/ FOTOSITE

A Apartamento 03, do Luiz Cláudio, e nossa conterrânea, desfilou uma coleção que teve como inspiração o teatro japonês. As roupas traziam shapes e formatos mega dramáticos, com sobreposições e transparências num trabalho realmente fantástico de criação.

As peças ainda eram complementadas com uma maquiagem super dramática e a performance do bailarino João Butoh.

Another Place

Another Place – SPFW N48 Inverno 2020 Foto: Zé Takahashi/ FOTOSITE

A Another Place é uma das nossas queridinhas, não vamos negar, e a estreia da marca na última edição foi de cair o queixo! Nesse edição, não houve muita surpresa no que diz respeito aos looks, além da incorporação de elementos femininos no streetwear da marca, que é sempre muito marcado pelos shapes mais masculinos e “duros”.

Mas colocamos a marca aqui, por ter sido uma das poucas (senão a única) a se arriscar a repensar e inovar no formato de apresentação da coleção. O “desfile” foi um curta-metragem estrelado por Johnny Massaro, que tratava de um performer mega confiante que contrastava com uma personalidade depressiva entre quatro paredes.

No palco, uma performance de Johnny Massaro e os modelos vestido as roupas da nova coleção.

Isaac Silva

Isaac Silva – SPFW N48 Inverno 2020 Foto: Zé Takahashi/ FOTOSITE

A estreia de Isaac Silva na passarela do SPFW já era aguardada por muitos. A marca foi criada há 5 anos com foco na mulher negra e desde sempre tem a militância em seu DNA e utiliza fortemente de elementos da cultura afro em suas peças.

A coleção veio completamente carregada de artigos de religiões de matriz africana, referências à orixás e a blusa “Viva seu Axé” que dá uma boa ideia do tom da marca. Curioso, que no mesmo período fui em um show da Mc Tha, cantora e praticante da Umbanda, em que ela fez uma saudação à São Jorge e quase um culto em meio à seu show, logo seguindo com a canção “Abram os Caminhos”. Essa reflexão sobre a ocupação de espaços predominantemente brancos e elitistas, abertura desses caminhos, e representatividade é um pouco do que Isaac Silva tenta trazer no seu fazer artístico.

No que tange às roupas, o desfile é extremamente versátil e sem perder a coesão. A coleção vai de vestidos belíssimos e bem trabalhados com renda até o streetwear e finaliza numa alfaiataria extremamente chic. Tudo transitando nos tons de cinza num desfile quase monocromático que surpreende por conseguir falar tanto sem utilizar de cores ou aspectos gráficos.

Lucas Assunção

Publicitário formado mas que se identifica como Comunicador. Apaixonado por moda desde os 13 aninhos e querendo resolver todos os problemas da indústria. Só que não dá pra fazer tudo sozinho né, vem comigo?

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