Entrevista com Priscilla Milagres da Lacre Free Studio

Entrevistamos Priscilla Milagres, diretora criativa e designer da Lacre Free Studio sobre a marca e a nova coleção “Bike Clubber”, que busca inspiração no universo da mobilidade urbana e do ciclismo.

Já falamos um cado da Lacre Free Studio lá no nosso Instagram. E essa semana eles lançam a nova coleção “Bike Clubber”, então, que melhor oportunidade pra gente fazer essa já aguardada matéria sobre a marca e a coleção nova?

A LACRE FREE

Entrevista com Priscilla Milagres

Créditos: Daniel Parreira


SANTO DE CASA: Como é a primeira entrevista que realizamos com vocês, vamos começar do começo! Conta um pouquinho sobre como foi o surgimento da Lacre Free Studio.

LACRE FREE STUDIO: A marca nasceu em 2017, 6 meses depois que eu voltei a morar em BH. Sou nascida aqui, me formei na Fumec em Design de Moda mas me mudei pra SP e morei lá por  3 anos. Me mudei pra lá porque o mercado de moda aqui não é tão legal e queria uma experiência melhor. Lá fui hostess de algumas baladas e achava o máximo me montar pra trabalhar, era meio que uma brincadeira pra mim. Também fui coordenadora de estilo de uma marca que era até descolex, mas a minha chefe sempre barrava as criações mais “conceituais” kkkkkk. Depois que voltei pra cá, fiquei com isso na cabeça de querer transformar essas idéias em algo real. Eram peças que, inclusive, eu queria criar para eu mesma usá-las, era algo que eu queria e não encontrava por aí nas lojas. Rolou também um processo trabalhista de um bar restaurante que trabalhei de hostess que não quis me pagar o que devia, aí ganhei o processo e foi essa grana que deu início à Lacre. Agora que lembrei disso vou até mandar mensagem pro dono agradecendo o calote que resultou nessa coisa maravilhosa!

SDC: De onde vem a estética e o interesse pelo universo Clubber, é também um gosto pessoal?

LFS: Sim, também é um gosto pessoal! A Lacre tem uma pegada performática, sai do casual/básico/normal. Acho que tem muito a cara do universo clubber em que as pessoas se montam de um jeito alternativo para ir para as festas e lá podem ser quem elas quiserem ser. É um lugar em que permite que vc seja exibicionista, e a Lacre tem essa identidade lasciva. É uma libertação, sabe? Se fantasiar a partir do seu estilo. Cada vez mais essas festas ganham espaços nas ruas, juntamente com esses estilo libertador. 

Créditos: Daniel Parreira

SDC: A primeira coleção de vocês explorava muito o universo fetichista e BDSM nas peças. Isso é algo que está no DNA da marca e deve voltar a aparecer ou foi uma temática inicial?

LFS: O que está no DNA da marca é a valorização dos corpos, usando de cortes e modelagens ousados e transparências, além da mistura de materiais. Enaltecer o feminino é uma das características da nossa essência. Já o BSDM foi uma temática inicial para enaltecer o poder feminino e fazer essa ligação entre a identidade da marca e o tema da coleção Techno. 

SDC: Já nessa segunda, vocês falam sobre o trânsito das bikes de forma muito politizada. Queria saber como é para vocês essa relação entre a moda e a política? A moda é/deve ser política? E qual o papel dela em tempos como os em que vivemos?

LFS: A moda é política sem dúvidas. Moda é comunicação e expressão. Se mulheres assumem seus corpos e vestem o que querem, sem ter medo de serem julgadas ocupando espaços nas ruas, ela está fazendo um ato político. Damares no seu discurso disse que meninos vestem azul, meninas vestem rosa e várias pessoas se posicionaram contra esse discurso fazendo o uso das cores conforme a própria vontade – ato político. Peças agênero que foram feitas para vestir todos os corpos: política. Uma simples camiseta de cor vermelha ou contendo uma mensagem política, é um posicionamento. Até quando compramos de marcas locais e passamos a nos conscientizar sobre o nosso consumo e sobre os meios de produção gerando renda para produtores locais e valorizando a sustentabilidade, estamos fazendo um ato político. Vestir é mostrar no que acreditamos. 

NOVA COLEÇÃO ‘BIKE CLUBBER’

Créditos: Daniel Parreira

Grande parte do transporte e logística da Lacre Free é realizada de Bike, já que tem um custo baixo e não rola emissão de gases poluentes (chic!). Mas você já viu as ciclovias de Belo Horizonte? Provavelmente não, porque tem tipo, duas (?).

A mobilidade urbana é uma pauta real y oficial e, por isso, foi a inspiração da nova coleção da Lacre.

“Inspirada em motorcycle clubs, a coleção Bike Clubber foi desenvolvida para ciclistas v1d4 l0k4s que se arriscam no meio da pista entre carros, motos, ônibus e caminhões numa cidade de trânsito infernal onde ciclovias são quase inexistentes e, assim, transformam a bicicleta em um meio de transporte alternativo.”

– Priscilla Milagres

Em referência a esse universo Biker e de mobilidade urbana, a coleção traz o Neon em tons de rosa e verde, além de detalhes (e looks completos) com material refletivo.

As modelagens e tecidos da coleção misturam o casual com o universo esportivo em uma mistura de ciclista urbano e de triathlon. As ilustrações exclusivas das peças ficam por conta do artista André Persechini. Ainda, mantendo o DNA da marca, chokers (que relembram o universo fetichista da última coleção), chaveiros e cintos dão o toque final à coleção.

Lucas Assunção

Publicitário formado mas que se identifica como Comunicador. Apaixonado por moda desde os 13 aninhos e querendo resolver todos os problemas da indústria. Só que não dá pra fazer tudo sozinho né, vem comigo?

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