O que a capa da VOGUE de Janeiro tem a ver com o consumo local?

Ontem, no segundo dia de 2020, a Vogue Itália liberou as 7 versões da capa de Janeiro da publicação. As capas viralizaram rapidamente e receberam dezenas de visualizações, curtidas e compartilhamentos.

Isso, porque as 7 capas são pinturas de artistas ao redor do mundo (de artistas renomados a talentos emergentes e ilustradores de histórias em quadrinhos) Com o mote: “NO PHOTOSHOOT PRODUCTION WAS REQUIRED IN THE MAKING OF THIS ISSUE” (Nenhuma produção de photoshooting foi necessária na criação dessa edição, em tradução livre”.

Todas as capas incluíam (como de praxe), modelos vestidas de roupas de grife com styling da equipe da publicação, mas em pintura. Assim como todo o conteúdo editorial dessa edição, que foi todo realizado em pinturas.

Todas as fotos e créditos abaixo.

POR QUE?

Por que a Vogue Itália realizaria um feito desses, pela primeira vez já vista na história da revista? A publicação explicou que o desafio era de mostrar que era realmente possível mostrar roupas sem necessariamente fotografá-las. Além disso, a publicação também pontuou que um dos motivos foi a quantidade enorme de emissão de gases poluentes e dinheiro necessárias para transportar grandes quantidades de roupas, fotógrafos e toda uma equipe para um editorial.

O questionamento sobre como mostrar e apresentar roupas sem a emissão de gases poluentes devido ao transporte é um questionamento muito atual, e uma outra solução pode ser a criação de roupas digitais. Mas…

O QUE ISSO TEM A VER COM MODA LOCAL?

Existem uma série de motivos pelos quais damos preferência a consumir de marcas locais e autorais e sempre falamos deles por aqui. Exclusividade, originalidade, valorização do mercado e de artistas locais, qualidade do produto e menor impacto ambiental.

Com frequência, entendemos que esse impacto ambiental das Marcas Locais vem pelo fato de terem uma produção em menor escala e de sua boa qualidade, assim, consequentemente, gerando menos lixo.

Isso é verdade! Mas também precisamos considerar que no transporte durante a produção de nossas roupas e até que elas cheguem a nós, também existe poluição e impacto ambiental. Impacto esse que também é minimizado ao se consumir local (seja falando de roupas ou até mesmo alimentos, por exemplo.).

ENTÃO DEVEMOS CONSUMIR (SÓ) LOCALMENTE?

Não. No mundo atual e na indústria da moda é bastante impossível e inviável consumirmos apenas localmente e ignorarmos todo um processo irreversível de globalização (com todas suas ressalvas de acessibilidade).

Isso seria, inclusive, muito negativo para jovens marcas, artistas e produtores emergentes que conseguem conquistar mais público e visibilidade com a internet e a tecnologia no geral.

O que podemos fazer, no entanto, é termos, sempre, consciência de que todas as nossas ações e todos as etapas da rede produtiva da moda tem algum impacto ambiental. E, assim, fiscalizarmos cada vez mais as marcas para seus processos que sejam condizentes com o que acreditamos.

Lucas Assunção

Publicitário formado mas que se identifica como Comunicador. Apaixonado por moda desde os 13 aninhos e querendo resolver todos os problemas da indústria. Só que não dá pra fazer tudo sozinho né, vem comigo?

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