O ‘Revenge Buying’ vai salvar a Moda pós-COVID-19?

Na última semana, o Revenge Buying foi o termo no momento na indústria da moda. Após o início da flexibilização da quarentena e retomada de atividades na China, em recuperação da crise do COVID-19, a Hèrmes alegou ter vendido 2,7 milhões de dólares em uma única loja no país.

Não é preciso dizer que é uma quantidade enorme e a maior venda de uma loja em um dia da história do país.

O que é REVENGE BUYING?

Esse surto de compras foi chamado de Revenge Buying (termo inicialmente cunhado lá nos anos 80, quando a China saía de outra crise) e se traduz como compras de vingança. Mas, vingança contra quem exatamente? Aparentemente, contra as limitações do isolamento social causado pela pandemia do Coronavírus (COVID-19).

Esse aumento significativo nas vendas, trouxe uma onda de otimismo, da parte de quem acredita que pode reverter as vendas perdidas durante a crise do COVID-19/Coronavírus; e uma onda de pessimismo, da parte que acreditava veemente que iríamos repensar o capitalismo e nossos hábitos de consumo drasticamente nesse período.

Ele pode salvar a moda?

A verdade é que o Revenge Buying não é um motor da indústria, mas sim um acontecimento momentâneo. Por mais que essa situação ocorra sequencialmente em todos os países que aderiram à quarentena (o que não é uma certeza), ele não é capaz de reparar a crise da indústria da moda.

Além disso, é admirável como os chineses conseguiram gastar tamanha quantidade de dinheiro depois dessa crise. A realidade de um país constantemente preparado para se reerguer depois de crises.

Sabemos também, que essa compra exacerbada não vai ser viável em todos os lugares, simplesmente porque os consumidores estarão, sim, sem dinheiro.

E o FUTURO?

É ingênuo pensar que entraremos em uma espécia de nova utopia da moda. Mas também é fatalista demais pensar que o ‘Revenge Buying’ é sintomático de que nada vai mudar.

O que grandes crises como essa fazem é, na verdade, acelerar tendências que já estavam acontecendo ou “programadas”.

Tome como exemplo o home office: dentro dos novos paradigmas no trabalho na modernidade, era algo que já estava acontecendo. Com a pandemia, praticamente todas as empresas perceberam que pode ser uma possibilidade para elas (e bem menos assustadora do que parece), e isso pode, sim, gerar uma aceleração nessa tendência.

Ou, se quiser ir um pouco mais longe, as marcas, estrelas do pop, celebridades e tudo o mais, não tiraram de lugar nenhum o uso de máscaras, que têm aparecido há algum tempo nas produções culturais. As lives e conteúdo virtuais também já apontavam no horizonte e estavam só esperando para tomar conta do nosso dia-a-dia.

Os desdobramentos dessa pandemia na indústria da moda ainda são incertos, mas o Revenge Buying não é uma resposta ou salvação a longo prazo.

No entanto, momentos como esse nos fazem, sim, repensar nossas necessidade e exageros, o que pode acarretar em uma mudança na mentalidade do consumidor.

Vamos levar um novo mindset para a vida? Iremos comprar menos e melhor? Ou iremos, em estado de êxtase, aproveitarmos os luxos enquanto podemos? Sairemos mais solidários ou mais auto-centrados dessa crise?

Lucas Assunção

Publicitário formado mas que se identifica como Comunicador. Apaixonado por moda desde os 13 aninhos e querendo resolver todos os problemas da indústria. Só que não dá pra fazer tudo sozinho né, vem comigo?

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