Consumo durante a Quarentena: Uma análise sobre o comportamento de consumo em confinamento

Nessa quarentena você tá comprando loucamente pra suprir algum tipo de frustração? Ou tá sem comprar nada, já que não tem onde usar mesmo?

Para entender melhor os nossos hábitos e comportamento de consumo durante a quarentena, Conversamos com Patricia Gomes, psicanalista e doutoranda pela UFMG.

Primeiro, é importante compreendermos como processamos o período de confinamento. Segundo uma pesquisa da Box 1824 isso acontece em três estágios:

#1 — Ansiedade: O desejo pela volta da “normalidade” e da vida que se tinha antes domina as atitudes e pensamentos das pessoas. O desconforto emocional e físico impera.

#2 — Hábito: O poder do hábito começa a dar contornos de rotina às novidades vividas pelas pessoas. O desconforto começa a se tornar agradável, afastando-se da vida pré-confinamento.

#3 — Transformação: A vida muda e dificilmente tudo voltará ao normal. Não existe mais a velha “normalidade”. A partir desse ponto, um novo estilo de vida nasce.

Para Patricia, com quem conversamos para entender como as pessoas podem se comportar durante a quarentena, reagimos à pandemia intensificando comportamentos de resposta já existentes previamente.

Sabemos que o consumo desencadeia uma falsa sensação de felicidade, que acontece de forma muito rápida. Para quem já tem o hábito de suprir suas frustrações com o consumo, isso fica mais intenso!

Para essas pessoas, o consumo surge como uma resposta de redução de danos a uma situação em que estamos ansiosos e, obviamente, desconfortáveis.

Além disso, em tempos como esse, em que temos pouco controle sobre o que acontece no mundo e em nossas vidas, consumir também nos dá uma sensação momentânea de controle e bem-estar.

Sabemos que o consumo excessivo causa uma série de problemas relativas ao nosso sistema de produção e consumismo. Mas, sobre consequências psicológicas de utilizar o consumo como válvula de escape, Patricia pontua que depende de cada um.

Caso esse comportamento de consumo seja utilizado como uma redução de danos e algo transitório e temporário durante esse período, a tendência é que não cause problemas.

No entanto, caso o consumo venha a se tornar um comportamento em circuito, um ciclo, pode sim ser danoso. Mas essas são respostas que só teremos após a pandemia.

Mais especificamente sobre o que falamos aqui: ao contrário da lógica do capitalismo, em que o bem-estar é perdido assim que o objeto é adquirido, para objetos de arte, que tem um valor intrínseco para além do descartável, essa sensação é mais perene e duradoura.

Esse pensamento dos objetos de arte também podem ser expressados nos objetos de moda ou outros objetos que tenham valor sentimental para nós, com as ressalvas aqui faladas. É importante que esse objeto seja visto pelo seu consumidor como algo duradouro e com uma visão quase que de colecionador.

Por último, é importante lembrar que existem pequenos negócios e marcas independentes. É utópico e irrealista condenarmos por completo o consumo nesse período. Negócios esses que são o sustento de famílias e diversos trabalhadores e dependem do consumo para isso, até mesmo nesses tempos.

Portanto, consuma com moderação. E se for consumir, compre algo que tenha real valor para você e para quem produziu.

Lucas Assunção

Publicitário formado mas que se identifica como Comunicador. Apaixonado por moda desde os 13 aninhos e querendo resolver todos os problemas da indústria. Só que não dá pra fazer tudo sozinho né, vem comigo?

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