A importância da interseccionalidade no Movimento LGBTQ+

Junho é o mês internacional do orgulho LGBTQ+ e no meio de tudo que estamos vivendo, achamos muito importante discutir um assunto pouco falado – ou pelo menos não falado o bastante -dentro do movimento: Interseccionalidade.

Em trecho do artigo “Intersectionalitys Definitional Dilemmas” Patricia Hills Collins aponta:

Interseccionalidade se refere ao entendimento crítico de que raça, classe, gênero, sexualidade, etnicidade, nacionalidade, habilidade e idade não operam como unidades mutuamente excludentes, mas como construções sociais que, conjuntamente, formam as desigualdades sociais. (Tradução Livre)

Interseccionalidade: O que é?

Para facilitar: Interseccionalidade pode ser entendida como a sobreposição ou intersecção de identidades sociais e sistemas relacionados de opressão. Consiste em entender que as diversas opressões sociais não atuam de forma excludente, mas sim de forma conjunta e somatória e assim operam as desigualdades sociais.

Ou seja, uma mulher trans negra sofre as opressões decorrentes da transfobia, misoginia e do racismo de forma não-excludente, não usufruindo do privilégio branco-cis de uma mulher branca ou do privilégio masculino-cis de um homem negro, por exemplo. É importante dizer aqui que: apontar os privilégios de um grupo sobre o outro não é invalidar suas opressões.

Por que interseccionalizar a sigla?

Portanto, qual a importância de ter um discurso intersseccional na luta LGBTQ+? Pensar a interseccionalidade nesse contexto é entender que, mesmo dentro de uma sigla em que todos somos oprimidos, existem grupos de usufruem de mais privilégios que outros e grupos que são mais marginalizados que outros.

E por que isso é importante?

Você sabia que a revolta de Stonewall, um dos eventos que deu origem ao movimento LGBTQ+, foi encabeçada por mulheres trans? Marsha P. Johson, uma mulher transexual negra e Sylvia Rivera, uma mulher trans latina, são duas das vozes mais importantes da Revolta de Stonewall e da luta LGBTQ+ que deu origem ao movimento que conhecemos hoje.

Marsha P. Johson e Sylvia Rivera

Sylvia Rivera inclusive foi vaiada por homossexuais em um de seus discursos, porque estes não queriam transexuais no Orgulho “Gay” (!!!).

Hoje, mais de 50 anos depois da revolta de Stonewall, nós, homens gays brancos alcançamos uma série de direitos e espaços na nossa sociedade – isso é inegável e não quer dizer que ainda não sofremos opressões!

Enquanto isso, mulheres transsexuais de cor tiveram pouquíssimos avanços e ainda são o grupo mais marginalizado da sigla. Transsexuais tem expectativa de vida de 30 anos e a grande maioria, cerca de 90%, precisa recorrer à prostituição por falta de acesso ao mercado de trabalho.

Entende, agora, a importância de interseccionalizar a discussão?

PRECISAMOS usar nosso espaço de privilégio para amplificar as vozes e trazer outros grupos mais marginalizados para ocuparem os espaços que conseguimos ocupar às custas delxs.

Lucas Assunção

Publicitário formado mas que se identifica como Comunicador. Apaixonado por moda desde os 13 aninhos e querendo resolver todos os problemas da indústria. Só que não dá pra fazer tudo sozinho né, vem comigo?

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