Joias para a videochamada: acessórios e isolamento social

O contexto de isolamento social trouxe muitas mudanças para a indústria da moda. Mas uma que você pode não ter pensado sobre, é a mudança no consumo de acessórios durante esse período. Isso mesmo, tem acontecido um aumento na venda de brincos e colares durante esse período e também uma mudança no formato e tamanho desses produtos!

É que, como estamos nos vendo cada vez mais através das telinhas e câmeras dos nossos dispositivos estamos valorizando as áreas que aparecem. A tendência, chamada de ‘Keyboard-Up’ (algo como, acima do teclado) pelo WGSN diz justamente dessa imagem do que aparece acima do teclado, ou seja, do busto.

Como estamos vendo as pessoas (praticamente) só neste “formato” existe uma valorização dessa área do busto. É meio que aquela história de fazer reunião de camisa social (porque aparece), calça de pijama e pantufa, sabe?

Por isso, os brincos e colares, que estão nessa área que aparece nas videochamadas (seja com amigos ou de trabalho) estão recebendo mais atenção do que o normal nesse período.

Os brincos procurados estão cada vez maiores e os colares cada vez mais curtos. Foi aí que entendemos que esse novo formato de convívio social está contribuindo nesse investimento em acessórios com mais presença, mas que estejam enquadrados no plano das telas de videochamadas.

Carlos Penna – Carlos Penna Design
Brinco de Carlos Penna

Inspirados nessa matéria de Giuliana Mesquita para a revista Elle, procuramos saber como as Marcas Locais tem se relacionado com essa possível nova tendência e o momento de quarentena e isolamento social em que vivemos – que apesar das flexibilizações, ainda devia estar sendo seguido.

Por isso, entrevistamos Carlos Penna da marca Carlos Penna Design, Bruna Gasparini, da Bruna Gasparini Jewellery e Raisa Barros, da Coisa Estúdio.

Santo de Casa: Muito se fala de um movimento de valorização dos acessórios nesse tempo de isolamento e nesse tal do Novo Normal (rs) devido ao aumento das videochamadas e lives que só nos permitem ver a imagem do busto né, vocês tem visto isso, o que acham sobre?

Carlos Penna: De início não notamos muita diferença, nosso público sempre preferiu apostar em brincos e colares. Como a busca por esses itens continuou da mesma forma não percebemos nenhuma mudança, porém quando olhamos com mais atenção aos produtos que estão tendo uma saída notamos que os comprimentos das peças estão mudando. Por exemplo, os brincos procurados estão cada vez maiores e os colares cada vez mais curtos. Foi aí que entendemos que esse novo formato de convívio social está contribuindo nesse investimento em acessórios com mais presença, mas que estejam enquadrados no plano das telas de videochamadas.

Bruna Gasparini: Meu trabalho sempre foi baseado na produção artesanal em baixa escala. É um processo minucioso , e muita gente fica espantado quando conhece as etapas do fazer manual de uma peça. Por este motivo, sempre mantive um atendimento mais próximo e muito amigável com meus clientes, com um atendimento muito humanizado, de carinho e admiração. Como minhas joias são mais autorais , sinto que meu consumidor busca algo totalmente diferenciado e de qualidade. Acredito que com essa nova realidade que estamos vivendo, há uma valorização maior dos acessórios sim.

Coisa Studio: Eu vi uma matéria sobre isso em abril desse ano e nela falava-se sobre como o estilo vai acompanhar a nova rotina de trabalho remoto, e o desenvolvimento dessa nova tendência do “out of the keyboards”, porque em chamadas de vídeo, você só vai ser visto do teclado para cima.
Por isso, na parte de cima, o look acaba ficando mais evidenciado e isso vai gerar um uso/consumo maior de acessórios, como brincos, colares, detalhes que estejam na região do colo, que é possível de ver. Eu sou super a favor do uso de acessórios divertidos, com cor, humor e personalidade mesmo que seja só para aparecer em uma chamada de vídeo ou, até mesmo para se produzir para si mesma e dar uma animada nesses tempos difíceis.

SDC: Em relação a vocês mesmo, como tem sido o negócio nesses tempos de pandemia e isolamento social? Tanto em termos das vendas (se aumentaram, caíram ou se mantém), de vender apenas online, se tomaram alguma medida, enfim, como vocês tem navegado esse período?

Carlos Penna: Logo no início do isolamento, fizemos algumas mudanças estruturais bastante significativas. Em função do comércio fechado, voltamos todas as nossas atenções ao online, fazendo do nosso varejo a prioridade; Nosso foco desde o começo da marca sempre foi o atacado e essa foi uma mudança bem radical pra gente, mas que hoje não nos arrependemos. Nosso site era terceirizado, e logo ao entrar de quarentena retomamos o domínio para estar perto do processo todo e está sendo uma experiencia ótima. Ter contato direto com o cliente final é algo que a tempos não fazíamos, e tem sido enriquecedor na parte da criação pois estamos aplicando vários dos feedbacks na nova coleção. Em termos de venda, tivemos um crescimento desde que realmente focamos no online.

Bruna Gasparini: Particularmente com minha marca, estamos trabalhando normalmente no que diz respeito à produção. Houve um aumento das vendas e clientes novos, que acredito estarem mais conectadas nas redes sociais e em buscas na internet. Tenho mantido meu site fora do ar desde que começou a pandemia, buscando através disso ter um relacionamento mais próximo com meus clientes, trazendo segurança e dando mais atenção. Tomamos todas as precauções quanto ás recomendações da OMS desde o manuseio até a embalagem das joias.

Coisa Studio: Em relação a Coisa, tive uma resposta muito positiva durante esse isolamento social, não só pelo desenvolvimento dessa nova tendência que promete vir forte, mas principalmente por conseguir manter uma consistência maior de movimentação/atualização aqui do perfil.
Como profissional freelancer e fazendo tudo aqui na marca basicamente sozinha – desde o marketing/branding/estratégias, escolha de materiais, produção manual de cada peça, os conteúdos para divulgação, atendimento ao cliente, despache das encomendas. Antes do isolamento social, e devido às minhas outras demandas em agilizar mais coisas na rua, eu não conseguia manter uma constância e dedicar tanto tempo ao perfil da marca, como estou conseguindo agora.
Mesmo antes da pandemia, como a Coisa só funciona online, sempre que o perfil teve mais movimentação e constância, teve uma resposta muito positiva de vendas.
E com essa nova tendência surgindo forte, a propensão é de que as vendas melhorem ainda mais.

SDC: Relacionado a um momento pós-pandemia, vocês tem alguma previsão ou expectativa ou desejo mesmo em relação ao mercado de joias e acessórios?

Carlos Penna: Bom, nós temos consciência de que esse pós pandemia ainda está num futuro um pouco mais distante; Então por agora queremos nos manter no presente e continuar afinando nossos processos criativos e melhorando essa relação com o cliente final, principalmente na assistência pós venda. Para o mercado, como um todo, é difícil fazer previsões ou ter expectativas, mas temos sim o desejo de ver algumas mudanças na forma como o mercado/consumidor se comportam. Mudanças no sentido de um consumo um pouco mais consciente e uma cadeia produtiva mais preocupada com seus impactos.

Bruna Gasparini: Tomamos todas as precauções quanto ás recomendações da OMS desde o manuseio até a embalagem das joias. Continuamos trabalhando com parcerias, buscando nos fortalecer neste momento delicado. Nosso foco é em uma produção mais slow, com séries limitadas e que possam ser feitas da melhor maneira possivel, respeitando nossa estrutura, tempo e proposta de qualidade.

Coisa Studio: Relacionado ao pós-pandemia, eu tenho a expectativa de conseguir delegar mais as minhas funções, estabilizar o giro da marca e contratar pessoal para me ajudar com as demandas, dessa forma mantendo também mais constância no consumo das coisas. Também tenho a pretensão de fazer um ateliê e de repente conseguir deixar de ser uma marca exclusivamente online.
Ainda no momento/cenário atual, a novidade é que estou planejando e desenvolvendo o site da Coisa, que vai deixar as vendas mais automatizadas e não tão dependentes de mim e de um atendimento personalizado. Isso também acelera as vendas e mantém mais constância já que não ficam diretamente dependentes de mim e desse atendimento.

Lucas Assunção

Publicitário formado mas que se identifica como Comunicador. Apaixonado por moda desde os 13 aninhos e querendo resolver todos os problemas da indústria. Só que não dá pra fazer tudo sozinho né, vem comigo?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s