O que vestiríamos no fim do mundo?

Estejamos mais otimistas ou pessimistas com a virada do ano e o início (finalmente) da vacinação no Brasil, nunca fomos confrontados tão de perto com um iminente fim do mundo quanto no ano passado – e não falamos só da pandemia aqui. 

A pauta de um possível fim de mundo já assombra criativos da moda há algum tempo e já aparecia aqui e ali – normalmente motivada pela crise climática. Mas, confinados em casa, ansiosos e sem saber para onde vamos ou sequer onde estamos, o fim de mundo se tornou um assunto cada vez mais comentado e se uniu a referências e expressões estéticas para ser representado. 

Ativamos todo o nosso referencial estético e de cultura pop para pensar: em uma eventual distopia ou apocalipse, que roupas vestiremos? 

Pode parecer estranho pensar em roupas quando falamos de fim de mundo e condições inóspitas, mas aí vale lembrar, que historicamente a indumentária cumpre diversas funções, dentre elas, oferecer proteção física contra condições climáticas adversas – parece familiar?

O repertório visual distópico ficou bastante frequente no nosso imaginário e apareceu na moda de diversas formas: recortes, sobreposições, tecidos e fios soltos, máscaras, vendas, óculos e roupas com formatos sobre humanos em meio a algumas “tendências” que já começávamos a ver. 

O próprio Upcycling e rework enquanto estéticas visuais que dominaram as redes sociais em tutoriais de DIY – na rede ao lado – e em brechós, marcas pequenas e até grandes designers replicando essa técnica enquanto estética – não nos aprofundando em quão isso pode ser problemático ou não.

Se pensarmos bem, faz sentido. Em um cenário pós-apocalíptico, com escassez de recursos, a reutilização e reciclagem dessas matérias seria uma, se não a única, alternativa viável. Ao mesmo tempo, essas peças de roupa estariam desgastadas, desbotadas, amareladas e rasgadas pelo caos da vivência em um mundo inóspito e pós-apocalíptico. 

Enquanto sabemos que o início dos planos de vacinação mundo afora – e agora por aqui também – ainda não determina o fim da pandemia ou o retorno à vida “normal”, também entendemos que os impactos desse sentimento sobre nós, nossas expressões e criatividade, também não se cessará tão rápido. Historicamente, momentos como esse seguem refletindo na cultura e no comportamento por um bom tempo: seja com a criação de comunidades mais unidas e sustentáveis ou com hedonismo incessante e exacerbado #YOLO.

Lucas Assunção

Publicitário formado mas que se identifica como Comunicador. Apaixonado por moda desde os 13 aninhos e querendo resolver todos os problemas da indústria. Só que não dá pra fazer tudo sozinho né, vem comigo?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s