Moda Digital na Prática: Entrevista com Replicant e CLOMETRICA

Full article available in English at the end.

Anifa Mvuemba/Maio 2020

Desde o desfile de Anifa Mvuemba, no ano passado, passou-se a se falar muito sobre Moda Digital e suas diversas possibilidades. À essa época, essas tecnologias não pareciam evoluir muito a bolha de criar looks virtuais para avatares e inserção em fotos. 

No entanto, o surgimento de plataformas como o Replicant Fashion e o CLOMETRICA aponta para um cenário em que a moda digital pode fazer parte de nossas vidas e trazer impactos reais para a indústria. 

O Replicant Fashion é uma plataforma de criação e desenvolvimento de roupas digitais, criada por Regina Turbina. A plataforma digitaliza roupas para avatares e até desenvolve coleções inteiramente digitais, tendo assinado peças para marcas como a PUM e o designer Alexander Terekhov. Regina Turbina, do Replicant Fashion, explica que a criação de moda digital foi uma evolução natural do seu trabalho, que já teve uma marca de roupas físicas e quis se aventurar nas peças digitais.

 Já o CLOMETRICA, é uma startup russa, criada por Serhii Komkov, que está desenvolvendo um novo aplicativo que promete possibilitar que pessoas experimentem peças digitalmente, através da realidade aumentada. O objetivo do CLOMETRICA é elaborar uma tecnologia de prova digital em tempo real. 

Nós conversamos com representantes de ambas plataformas para entender um pouco melhor de como a moda digital pode funcionar na prática, no dia a dia da indústria da moda e quão próximo dessa realidade nós já estamos. 

Replicant Fashion
  1. Primeiramente, como vocês criam e desenvolvem essas roupas digitais e como se dão as parcerias com grandes marcas de moda?

The Replicant Fashion: Nós queríamos expandir o mundo da moda digital e criar uma comunidade de desginers, artistas e marcas. Isso ganhou visibilidade, os clientes gostaram muito da moda digital e marcas tradicionais também quiseram fazer parte do movimento. 

Então uma marca surge com a ideia de criar uma coleção digital e nós desenvolvemos toda a história por trás disso, trabalhos em um conceito, moodboards, esboços e as peças digitais – como foi o caso da PUMA. Às vezes também somos pedidos para digitalizar peças que já existem, como foi o caso com Alexander Terekhov.

  1. A sustentabilidade é um valor importante para o The Replicant, vocês acreditam que a moda digital pode se tornar a solução que precisamos para produzirmos com menos lixo e ainda nos manter criativos e inventivos com a moda?

The Replicant Fashion:  Esse é um dos nossos principais valores. Temos certeza que o processo de digitalização da moda dá uma segunda chance à indústria. Pode funcionar quando falamos simplesmente de criar conteúdo para as redes sociais sem precisar comprar novas roupas para isso. Isso funciona agora. 

Mas, no futuro, com o desenvolvimento dessas tecnologias isso pode mudar a cadeia de produção e fornecimento de moda. Comprar peças em pré-venda ou sob demanda, com provas e ajustes digitais antes da produção da roupa. Falamos também de um consumo mais consciente quando parte do guarda roupa se torna puramente digital – em uma foto ou em RA (Realidade Aumentada). 

  1. Como vocês veem a moda digital e tecnologias de RA (realidade aumentada) vão se desenvolver na indústria da moda e nas cadeias de fornecimento e produção? Por exemplo, pode se tornar uma forma prática e possível de provar roupas sem contato físico ou à distância no varejo?

The Replicant Fashion: Sim, essa é uma possibilidade. Estamos falando de uma roupa em 3D, criada como uma roupa real – usando os mesmos padrões, mesmas características, tecido, medidas e parâmetros – então, sim, essa peça pode ser provada em um avatar com as mesmas medidas de uma pessoa e parecer real em uma foto ou vídeo. Na verdade, existem inúmeras possibilidades.

CLOMETRICA:  A moda digital se acelerou em 2020 e a indústria já está trabalhando nesse caminho. Muitas grande marcas já estão apresentando suas coleções digitalmente. A moda digital é aplicável em diversas direções: percepção do consumidor; sustentabilidade; a possibilidade de se experimentar peças à distância; maior precisão na compreensão da cadeia produtiva de marcas – quantas peças serão vendidas, quantas precisam ser produzidas. Sempre há oportunidade de mudar as representações e os processos de criação de conteúdo.

Em alguma medida, essa tecnologia pode se tornar uma plataforma de varejo para diferentes marcas, onde você pode automaticamente provar o seu tamanho e fazer seu pedido para entrega. Estamos trabalhando arduamente para essa tecnologia e acreditamos que em breve, provas de roupas em e-commerces e à distância, sem necessidade de contato físico serão ações ordinárias do nosso dia-a-dia. 

  1. Existem críticas e controvérsias sobre a moda digital. Por exemplo, muitas pessoas não percebendo o valor de comprar algo que não é fisicamente real. Como vocês veem essas questões?

The Replicant Fashion: Nós consideramos a moda digital – e ela ainda está em seus primeiros dias – como uma experiência sensorial por enquanto. É como ouvir música ou ver um filme – algo totalmente experimental. 

A moda sempre teve essa função social que vai além da necessidade prática de ter um casaco para te proteger do vento, frio ou do sol. Aliás, é essa função social que criou o fenômeno da moda como ele é hoje. À medida que essa tecnologia se desenvolver, pessoas poderão ter peças digitals em seus armários, revendê-las e o que é mais importante: usar as oportunidades criadas pela moda digital para comprar peças físicas quando necessário – e esse processo vai ser mais consciente, limpo, criativo e divertido.

Replicant Fashion

ENGLISH

Since Anifa Mvuemba’s fashion show, last year

However, new platforms such as The Replicant Fashion and CLOMETRICA are pushing the agenda for digital fashion to be a real part of our daily lives and bring real impact on the fashion industry. 

The Replicant Fashion is a platform that creates and develops digital clothing, created by Regina Turbina. The platform digitalises clothes foi avatars and even develops entirely original digital collections, having partnered with major brands such as PUMA. Foi Turbina, exploring the world of digital fashion came as a natural development of her work as a fashion designer – who’s already had a physical fashion brand. 

As foi CLOMETRICA, it’s a russian startup, created by Serhii Komkov, that is developing a technology to elaborate a real-time digital fashion fitting technology in the near future. 

We’ve talked with representants from both platforms in order to understand how digital fashion could work, in practical terms, how it could affect the day by day of the fashion industry and how close to that we really are. 

  1. First of all, how do you guys create and develop theses digital garments and partnerships with major fashion brands?

The Replicant Fashion:  The word started spreading, customers really liked digital fashion, and traditional brands also wanted to be part of the movement. So a brand comes over with an idea of making a digital collection, we develop a story behind this, work on a concept and come up with mood-boards, sketches, and digital garments – this was the case with PUMA. Or sometimes digitise existing garments as was the case with Alexander Terekhov cocktail dress collection.

  1. I can see that sustainability is an important value to you guys right? Do you think digital fashion may actually come to be the solution we need to produce less waste and still be creative and inventive with fashion?

The Replicant Fashion:  This is one of our core values. We are sure that process of digitalisation of fashion gives the industry a second chance. It may work when we speak about just creating content for social media and need to buy clothing for this. This works right now. But in the future as technology develops this will change the supply and production chains in the industry. Shopping garments by pre-order, with digital try-on and fitting before the garment is produced. More conscious consumption when part of the wardrobe becomes purely digital – on a photo or in AR. All this will help to clean the fashion industry for sure.

  1. How do you see digital fashion, and AR technologies developing into the fashion industry and the supply chain and production? Do you think it could, for example, be a practical and easy way to try on clothes with no physical contact for retail e-commerce, for example?

The Replicant Fashion: Yes, this is one of the options. We are speaking about a 3D garment, created like a real one – using the same patterns and with the same qualities, fabrics, parameters, etc. So this garment could be tried-on an an avatar with one’s exact measurements, or used an AR creative and fun tool – which will look like real on a photo or video. It has so many options actually, and we would like to help develop this new opportunities.

CLOMETRICA:  Digital fashion churns faster in 2020 and manufacturers working in this course. Many grand brands already showing their new collections through digital. Digital fashion is applicable in several directions: perceived consuming; taking care of environment; the possibility to try on clothes that are not available for you in your region; more precise comprehension by the brand – how many clothes they will sell; always an opportunity to change own representations; process of a content making.

To some degree, this technology can turn into a retail platform for different brands, where you can automatically try on your size and order home delivery. We are working hard on this technology and believe that soon e-commerce for fitting clothes on the distance and without physical contact will become our daily ordinariness.

We think that in the nearest year or two, Clometrica will accomplish steps forward and the fitting of digital clothing will be available to everyone with any physique constitution.

  1. There is a lot of criticism around digital fashion. Foi example, with people not seeing value into buying something that is not physically real. How do you see this type of criticism?

The Replicant Fashion: We consider digital fashion – and it is very early days of it – as a sensual experience for now. It is like listening to music, watching a movie – totally experiential thing. 

Fashion has always had this social function which goes beyond practical need of having a coat to save you from the wind and rain or sun. Actually this social feature creates the phenomenon of fashion – as it is now. And as technology will develop people would be able to “possess” digital garments in their wardrobe, resell it and what is more important use digital fashion opportunities for purchasing real garments when they need – and this process will be more conscious, cleaner, more creative and fun.

Lucas Assunção

Publicitário formado mas que se identifica como Comunicador. Apaixonado por moda desde os 13 aninhos e querendo resolver todos os problemas da indústria. Só que não dá pra fazer tudo sozinho né, vem comigo?

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